Sábado, 18 de Novembro de 2006

Florbela Espanca

Ontem, quando escrevi do gosto que nutro por livros, entre os clássicos Portugueses, referi esta grande Poeta, com a qual me identifico, nalguns dos seus poemas.

Deixo-vos este:

publicado por Chicailheu às 13:54

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Quinta-feira, 31 de Agosto de 2006

Forbela Espanca

A obra de Florbela é a expressão poética de um caso humano.

Decerto para infelicidade da sua vida terrena, mas glória do seu nome e glória da poesia portuguesa, Florbela viveu a fundo esses estados quer de depressão quer de exaltação, quer de concentração em si mesma, quer de dispersão em tudo, que na sua poesia atingem tão vibrante expressão.

Mulheres com talento vocabular e métrico para talharem um soneto como quem talha um vestido; ou bordarem imagens como quem borda a missanga; ou (o que é menos agradável) se dilatarem em ondas de verbalismo como quem se se espreguiça por nada ter que fazer, que dizer - naturalmente as houve, e há, antes  e depois da vida de Florbela.

Também ,decerto, apareceram na nossa poesia autênticas poetisas, antes e depois de Florbela.

Nenhuma porém, até hoje, viveu tão a sério um caso tão excepcional e, ao mesmo tempo, tão signifificativamente humano.

Jorge de Sena dirá: tão expressivamente feminino.

José Régio.

Se por minhas palavras quisesse fazer a descrição poética de Florbela, não encontraia palavras que  a descrevesse tão profundamente.

Adoro a sua poesia. Tenho , "Poesia Completa" e "Sonetos", desta grande poetisa, com a qual me identifico sobremaneira.

Deixo-vos o meu Soneto preferido :

AMAR!

 

Eu quero amar, amar perdidamente!

Amar só por amar: Aqui...além...

Mais este e Aquele, o Outro e toda a gente...

Amar!  Amar! E não amra ninguém!

 

Recordar? Esquecer? Indiferente!..

Prender ou desprender? É mal? É bem?

Quem disser  que se pode amar alguém

Durante a vida inteira é porque mente!

 

Há uma Primavera em cada vida:

É preciso cantá-la assim florida,

pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

 

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada

Que seja a minha noite uma alvorada,

Que me saiba perder...pra me encontrar...

publicado por Chicailheu às 08:29

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Segunda-feira, 21 de Agosto de 2006

Vitorino Nemésio- Ilustre Terceirense

Vitorino Nemésio, é natural de Santa Cruz, Praia da Vitória, Ilha Terceira.

Ilustre filho desta Ilha, foi Escritor, Romancista, Professor Catedrático, Poeta e um grande Comunicador.

Para além de tudo era um homem simples, um homem do Povo, como ele tantas vezes o afirmou. Dizia se sentir bem no meio dos "seus", e adorava tocar viola e cantar.

Tenho a honra de o ter conhecido pessoalmente. Ele parava à porta da Oficina de Sapateiro do meu avô Salsinha e proseavam acerca de vários temas. Num desses dias, para felicidade minha, eu estava por lá e o meu avô apresentou-me como sendo sua neta e filha, pois  que me estava criando.

O Senhor Vitorino Nemésio, fez um enorme elogio, ao trabalho confeccionado pelo meu avô e por acaso nesse dia ele estava  fazendo um lindo cinto, para mim.

Também tenho um dos seus livros: "Festa Redonda", que contém lindas quadras, decimas e cantigas de Terreiro, oferecidas ao Povo da Ilha Terceira.

Vou citar algumas dessas quadras, escritas à sua maneira, ou seja, ele as escreveu como o povo falava.

CANTIGAS À MINHA VIOLA

 

Minha viola de luxo

Minha enxada de cantar,

Meu instrumento de fogo,

Caixinha do meu chorar!

 

Viola, bordão de prata

Vida violeta, violeta...

Prima, coração que mata

Poeta! Poeta! Poeta!

 

No florão da minha viola

Pus uma tira de espelho

Para ver, de quando em quando,

Se estou novo se estou velho.

 

Ó viola encordoada

Com quinze cravos de aposta,

Minha pera acinturada ,

Minha maçã da Bemposta!

 

Quando te toco nas cordas,

À boca do coração,

Vou-me sangrando em saúde

Que nem sumo de limão.

 

Tens os pontos doiradinhos

Tens os espaços de luto,

Cada prima é uma flor,

Cada cravelha é um fruto.

 

Pendurada à tiracolo

No teu cordão cor de vinho,

És o meu saco de cego,

O meu burro e o meu moinho.

 

Meu amor, deixa falar!

Dorme, não percas a esperança,

Morta, na minha viola,

Serás  sempre uma criança.

 

Que seis meninas de arame

É que te levam à campa,

Com seis florinhas de pau

Espetadinhas na tampa.

 

E o limão, a violeta,

A madrepérola, o espelhinho,

Hão-de te servir de terra

E de mortalha de linho.

 

CANTIGAS À ILHA TERCEIRA

 

Lá  vai a Ilha Terceira

Por riba dos mares afoitos,

Carregadinha de amores,

De mistérios e de biscoitos!

 

Esta nossa Ilha Terceira

Sempre foi alto lugar:

Em amores, bodos e toiros

Fica bem  a desbancar .

 

A Ilha Terceira é fêmea

Sã Miguel saiu varão,

 Graciosa rapariga

E Sã Jorge tubarão...

 

A nossa Ilha Terceira

Em dois pontos fica atrás:

De Deus do Céu e de ti

Que tanta graça lhe dás!

 

Ó Angra, nobre cidade,

Que tens baraço e cutelo,

Vê-se a croinha do Pico

Das muralhas do castelo.

 

Não subo ao monte Brasil,

Não sou facheiro nem facho:

Tenho o navio no peito,

Quando o quero sempre o acho.

 

Ó leal cidade de Angra

Mimória do meu amor,

Pisão da minha alegria,

Castelo da minha dor!

 

Angra, maioral cidade,

Desterro do Gungunhana ,

Onde fui às cavalhadas

No meu cavalo de cana.

 

Ó Angra da figalguia

E procissão do triunfo!

Em amores puxei-lhe espadas

Ganhou-me a dama de trunfo.

 

CANTIGAS DE TERREIRO

 

Quem a mim me ouvir cantar

Cudará que estou contente...

Estou mais triste do que a noite,

Que chega e ninguém sente .

 

Teu pai não me deu o sim,

Tua mãe deu-me um senão;

Só teus olhos me disseram,

Um que sim, outro que não.

 

Quatro coisas são precisas

Ao amor para durar:

Firmeza, galantaria,

Ter perna, saber chorar!

 

Tu gostas tanto de flores

Que já  lhe apanhaste jeito:

Parece uma rosa branca

A mão que levas ao peito.

 

Se casarmos, rapariga,

A minha promessa é isto:

Ir cua  vela de arroba

Discalço ao Sr. Santo Cristo.

 

Fui-me confessar ao padre:

Ai! que lágrimas chorei!

Lá me deu a assolvição

Pelo muito que te amei.

 

Açafate de pão alvo

Quer erva-santa ao redol:

Um home carece esposa

Como o trigo pede sol.

 

Fui correr bodos contigo,

Troixe a rosquilha no braço,

Pão de cabeça à capota,

Alfenim no teu regaço.

 

E muitas, muitas mais, lindas quadras se podem ler neste livro: "Festa Redonda", a que aconselho a lerem e se puderem comprar, compram uma rara Relíquia!

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Chicailheu às 08:09

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