Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

Homenagem a um grande Poeta- José Carlos Ary dos Santos

José Carlos Ary dos Santos (Lisboa, 7 de Dezembro de 1937 — 18 de Janeiro de 1984) foi um poeta e declamador de poesia português.

 

Oriundo de uma família da alta burguesia, José Carlos Ary dos Santos, conhecido no meio social e literário por Ary dos Santos, vê publicados aos 14 anos, através de familiares, alguns dos seus poemas, considerados maus pelo autor. No entanto, Ary dos Santos revelaria verdadeiramente as suas qualidades poéticas em 1954, com dezasseis anos de idade. É nessa altura que vê os seus poemas serem seleccionados para a Antologia do Prémio Almeida Garrett.

 

É então que Ary dos Santos abandona a casa da família, exercendo as mais variadas actividades para seu sustento económico, que passariam desde a venda de máquinas para pastilhas até à publicidade. Contudo, paralelamente, o poeta não cessa jamais de escrever e em 1963 dar-se-ia a sua estreia efectiva com a publicação do livro de poemas A Liturgia do Sangue (1963).

 

Em 1969 inicia-se na actividade política ao filiar-se no PCP, participando de forma activa nas sessões de poesia do então intitulado "canto livre perseguido".

Entretanto, concorre, sob pseudónimo como exigia o regulamento, ao Festival RTP da Canção com os poemas Desfolhada Portuguesa (1969), Menina do Alto da Serra (1971) e Tourada (1973), obtendo os primeiros prémios. É aliás através deste campo – o da música - que o poeta se torna conhecido entre o grande público.

 

Autor de mais de seiscentos poemas para canções, Ary dos Santos fez no meio muitos amigos. Gravou, ele próprio, textos ou poemas de e com muitos outros autores e intérpretes e ainda um duplo álbum contendo O Sermão de Santo António aos Peixes do Padre António Vieira.

 

À data da sua morte tinha em preparação um livro de poemas intitulado As Palavras das Cantigas, onde era seu propósito reunir os melhores poemas dos últimos quinze anos (publicado postumamente), e um outro intitulado Estrada da Luz - Rua da Saudade, que pretendia fosse uma autobiografia romanceada.

O poeta morre a 18 de Janeiro de 1984. O seu nome foi dado a um largo do Bairro de Alfama, descerrando-se uma lápide evocativa na casa da Rua da Saudade, onde viveu praticamente toda a sua vida.

Ainda em 1984, foi lançada a obra VIII Sonetos de Ary dos Santos, com um estudo sobre o autor de Manuel Gusmão e planeamento gráfico de Rogério Ribeiro, no decorrer de uma sessão na Sociedade Portuguesa de Autores, da qual o autor era membro.

Em 1988, Fernando Tordo editou o disco "O Menino Ary dos Santos" com os poemas escritos por Ary dos Santos na sua infância.

 

Um dos seus belos Pomas!

 

 

E O seu último Poema, foi escrito, dois dias antes da sua morte!

 

SONATA DE OUTONO

 

Inverno não é 'inda mas Outono
Na sonata que bate no meu peito
Poeta distraído, cão sem dono
Até na própria cama em que me deito

Inverno não é 'inda mas Outono
Na sonata que bate no meu peito
Acordar é a forma de ter sono
No presente e no pretérito imperfeito

Mesmo eu de mim próprio me abandono
Se o rigor que me devo não respeito
Acordar é a forma de ter sono
No presente e no pretérito imperfeito

Morro de pé
Mas morro devagar
A vida é afinal o meu lugar
E só acaba quando eu quiser

Não me deixo ficar
Não pode ser
Peço meças ao Sol, ao céu, ao mar
Pois viver é também acontecer

A vida é afinal o meu lugar
E só acaba quando eu quiser

 

José Carlos Ary Dos Santos

 

P. S. Este poema foi cantado pelo Carlos do Carmo, no espectáculo de sábado aqui em Angra do Heroísmo!

 


 

publicado por Chicailheu às 03:03

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Quinta-feira, 30 de Agosto de 2007

Vitorino Nemésio

Escritor e professor universitário. (Praia da Vitória, Terceira 19.12.1901 - Lisboa 20.2.1978).

Interrompeu  os estudos liceais, feitos nos Açores, para assentar praça como voluntário. Cabo de Infantaria e empregado de escritório, em Lisboa, tornou-se profissional em 1921, como redactor de "A PÁTRIA".

Revisor da Imprensa da Universidade, em Coimbra, em 1922 matriculou-se na Faculdade de Direito e depois na de Letras de Lisboa, acabando por se licenciar no ano de 1931 em Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa onde se doutorou em 1934. Ensinou em Mompilher e Bruxelas, antes de se tornar professor catedrático na Faculdade de Letras de Lisboa, no qual veio a ser director ( 1957-1959)

Destacam-se, entre outras obras: de poesia, "O bicho Harmonioso", "O verbo e a Morte", "Sapateira Açoriana " e outros poemas; de ficção, destaca-se "Mau Tempo no Canal", "Varanda de Pilatos".

Toda a sua obra reflecte um profundo conhecimento de vida e dos homens.

 

Eu me construo e ergo peça a peça,

De saudade, vagar e reflexão,

Com quase quarente anos, mal começa,

Ovo de tanta coisa, o coração.

 

in "Eu, comovido a Oeste, 1940)

 

Vitorino Nemésio

Um homem nascido na Praia da Vitória, Ilha Terceira.

 

 

publicado por Chicailheu às 20:58

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